Mas se as pessoas estão retraídas quanto a comprar uma nova casa, Marcos Lopes diretor-presidente da Lopes, maior imobiliária da América Latina, explana "num momento de inflexão e retração os consumidores encontram mais oportunidades do que em períodos de abundância. Quem comprar hoje, com certeza vai fechar um negócio mais favorável do que quem deixar essa decisão para depois".
Outro fator que está preocupando esses consumidores é o financiamento. De acordo com Vanderlei Canella, diretor comercial da Lopes Prime, de cada 10 vendas realizadas, 8 são feitas através de financiamento imobiliário. A Caixa Econômica Federal, principal banco financiador, que representa 70% das transações desse gênero no país, mudou em 2015 o limite de crédito de 80% para 50% do valor total do imóvel, representando uma queda de 33% ou 75,6 bilhões de reais. Apesar de ter voltado atrás e manter o teto para financiamento de habitações usadas em 80%, essa mudança mexeu com a confiança dos compradores.
Com a escassez de crédito, juros altos e a oscilação do câmbio, é de esperar que as pessoas se retraíam quanto à tomar decisão de compra, já que essa dívida, na maioria das vezes, dura décadas.
Hoje na cidade de São Paulo existem cerca de 24 mil apartamentos novos em estoque, sendo que esse número, anteriormente, nunca passou dos 18 mil.
"Está difícil negociar valores", nos diz Soelyn Mitri, gerente de transações imobiliárias, "atualmente as pessoas sofrem a ilusão de que os preços baixaram muito e que todo mundo está dando um imóvel, mas essa não é a realidade”. Além de se tratar de valores altos que muitas vezes representam as economias de uma vida inteira, comprar uma casa envolve a expectativa de quem quer vender. Os brasileiros consomem em média durante a vida 1,8 imóveis, enquanto no México são 4 imóveis e nos países desenvolvidos esse número chega à 10. A representatividade desse mercado no PIB nacional no Brasil é de 9%, sendo que nos Estados Unidos a venda e compra de imóveis chega a ser 90% do produto interno bruto.
Mesmo em tempos de crise as pessoas não deixam de se casar, de ter filhos e de migrar. As prospecções para o segundo semestre desse ano são de melhora. Com a troca da presidência, o grau de confiança das pessoas aumenta, criando melhores expectativas para quem quer comprar e vender. Com o impeachment, o presidente interino Michel Temer, tem a difícil tarefa de retomar o crescimento do país, "o PIB é um reflexo de como anda o poder aquisitivo das pessoas, se há uma expansão positiva da economia, o mercado imobiliário tende a crescer. Sendo assim, se nessa nova gestão nós tivermos políticas efetivas e soluções para os problemas atuais, o mercado vai melhorar. Crédito e confiança é o nosso combustível", finaliza Marcos Lopes.



